Percorro 
                  os teus cabelos 
                                              como espuma 

Com que afago as noites das ausências 

Percorro-os insone e crepuscular

Fechada em mim e em ti

Na escuridão em que me vences e

De vencida te mordo e te sofro na

Espera apodíctica do teu longo dorso.

Cavas em mim a fúria do futuro e

Na concavidade do meu ser és

Luz de simples existir ou

Pedra labiríntica esculpida

Como busto de dor e de prazer.

Jamais amei  a sombra ou o mistério

Qual minerva busquei 

Cura no sabor de saber nada saber

- alívio de nada existir que não procure

Um senso para o labirinto.

Ergui um busto de dor e de prazer

E esculpi-o continuamente,

Sempre e sempre 

Até encontrar a inalcançável

Forma exacta

Que nunca encontrei.

Morrer de tédio seria encontrar

Este impossível levante.

O caminho está em percorrer

As cordas atadas entre os pólos ignorados

E nunca os conhecer.

Apenas desejar e querer

Os picos que os denunciam.

Nunca chegar. Nunca.

É como morrer beijando a luz que se esvai,

Nunca a luz concisa e finda ( escuridão).

Morrer não. Adormecer num sonho de claridez

Sorvendo o  último átomo de oxigénio

Como se 
                    sorvesse 
                                       a vida toda  
                                                              de uma vez


@Carla Furtado Ribeiro

2 comentários:

J L Silva disse...

Olá, Carla

Tua poesia tem este gosto dos nossos dias. Tem este sentir perene das palavras a dizerem tanto sentimento. E quando o verso se cala fica no silêncio este aroma bom de saudade, este sonho declamando poesia dia após dia. Sou fã dos seus poemas.
Saudações poéticas!!!

Carla Furtado Ribeiro disse...

Grata JLSilva. Saudações e saudades poéticas desta sua igualmente fã e visitadora!