TERRA INCANDESCENTE

O céu toldado de vermelho e cinzas
Vogando nas alturas como farpas
Lançadas sobre a terra ardente
Moldavam o céu fosforescente e
Toda a terra em agonia
Enegrecia
Sob uma escuridão demente.

Lutavam por ti, humanamente,
Contra o que se erguia
Imenso de ímpeto e de poder.

Cavalos de fogo que irrompendo
Da terra incandescente
Feriam de sangue
A perfeição do próprio ventre.

Gestos e gritos de pavor
Do monstro crepitante que engolia
Semeando a morte e a agonia
Na harmonia da concha natural.

A dor veio e trouxe o indizível:
O perecer dos Homens sob um
Silêncio de chamas sepulcral.

Renascerá no tempo da incerteza
A árvore, o pássaro, a casa, o Homem
E o seu pacto com a terra, visceral,
De nada renegar:
- A alegria e a dor
Cavadas no esplendor
Das serras
Que em silêncio desabrocham
A sua perfeição original.
-
@Carla Furtado Ribeiro
[Em memória das vítimas da Tragédia de Pedrógão Grande, Castanheira de Pêra e Figueiró dos Vinhos]



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